Amélie não se iguala a sua personagem favorita do cinema: ela não é uma heroína decidida e inteligente.
Em momento algum consegue pregar peças nas pessoas, tal qual sua musa inspiradora. Ao contrário, anda por aí se expondo em momentos irracionais de fúria.
Amélie um dia desses, chutou o pau da barraca com sua amiga.
Depois do calor e leves queimaduras sofridas tentando alisar as grenhas da desalmada, foi acusada de lerdiar e não conseguir executar a tarefa por completo - as unhas da madame não foram feitas.
Amélie foi escalada para uma caroninha de volta à casa de sua ama honorária.
Lá, foi convidada a esperar as amigas de Num-sei-quem para poderem se conhecer.
Achou toda a situação um disparate e, com fogos em seus olhinhos, acelerou sua lambretinha e pôs-se no caminho de volta, jurando para si que nunca mais falaria com a dita cuja.
Amélie sabia que havia exagerado. No próximo feriado, na certa teria que encontrá-la no clubinho feminino de sempre.
Por que não emprestar seus dons cabeleireirísticos? Só por ter sido tratada como uma empregada? Só porque havia sido sumariamente excluída do passeiozinho?
Apesar da desculpa não ser das mais convincentes ("...não te chamo pra ir, porque o convite da boate está caro e você sempre reclama de gastar dinheiro"), a menina era bem influente no grupinho e o melhor a fazer seria esquecer a bobagenzinha.
Amélie, é uma menina muito mal agradecida. Poderia ser pior: e se não tivesse amigas?
Já pensou, ser uma pessoa sozinha na vida?
Cruzes!
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
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