Amélie costuma dizer que se um dia tiver um câncer, ele será no estômago.
Tem gente que diz que o câncer vem de problemas mal resolvidos, que se acumulam e depois fazem mal pra própria pessoa. Ter raiva, angústia e afins. Isso.
Ela perdeu 15 kg recentemente, devido a uma cirurgia. No período de recuperação, não comia nada, e se comesse, despejava no vaso sanitário, não importando por onde... rsrs.. que nojeira (isso é pra dizer que está magra feito um palito).
Acontece que, quando seu emocional é abalado, o apetite vai pro espaço.
Ultimamente, não tem fome. Simples assim: corre do prato. Sua mãe já está percebendo.
Uma cervejinha desce de boa. Mas quando é comida, afe. Corre léguas.
Hoje, às 10:16 da manhã, está aqui sem fome alguma. Na verdade, está pensando na porção de peixe que foi obrigada a comer ontem na lanchonete. Sua mãe quase a arrastou, depois de Amélie dizer que sua comida estava ruim. Peixe e batata frita, regados a shoyo. Como diabos se escreve isso? Choio? Ah, quem se importa? O fato é: bem feito pra ela. Magoou sua mãe com o comentário infeliz e teve que ingerir toneladas de frituras. Muito bem feito. Muito. De verdade.
Pensou muito no Bob. E mais ainda no Betão.
Céus. Ela queria simplesmente sumir. Viajar por aí (como o anão de jardim do pai de sua heroína, no filme).
Mas, ok. Não seria possível. "O planeta tem seus protocolos", como diria Veríssimo.
Hoje, no caminho para o serviço, veio o tempo todo pensando em quantas e quais pessoas iriam em seu velório, caso morresse.
Amélie está macabra. Deve ser a chuva, tão melancólica.
Melancólico é tomar chuva de moto. Triste. Mesmo.
Amélie não pensa nisso, não hoje.
Amélie, hoje, queria saber qual será o motivo pelo qual Betão não fez a ligação prometida.
Amélie anda estranha. Deitou na cama ontem e ficou exercitando seu lado the secret de ser. Ficou pensando e tentando tranferir pra ele toda a vontade de receber uma ligação. Acabou adormecendo. Hoje, pela manhã, recordou-se da musiquinha triste do Pato Fu "e quando acordo cedo de uma noite sem sal, sinto o gosto azedo de uma vida doce e amarga no final".
Amélie está sem fome, sem namorado e sem porra nenhuma.
Dinheiro: Amélie nem liga pra essa merda. Esse mal necessário não adianta nessas horas.
Mal tem amigas. Ama elas de paixão, mas estão tão longe: longe de entenderem algo sobre Amélie. Amélie encontra-se sozinha, fodida e mal paga.
Antes estivesse fodida. Por Betão, é claro. Quem sabe assim Amélie estaria mais acessível.
Desabafo de narradora: está impossível conviver com essa criaturinha.
Amélie estraga tudo.


Um comentário:
Oi, Amelie. Amei seu blog. Aliás, identifiquei-me com alguns "distúrbios alimentares", os quais, infelizmente, tem me atacado. Desde setembro emagreci 5 quilos, o que, para 1,60m fazem uma boa diferença. Adoro o filme "Amelie" e mais ainda seu estranho e bizarro mundinho. É como o seu mundo. É como o meu mundo. O que, sejamos sinceras, é privilégio de poucos. Beijos grandes, linda!
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